Educação em um Mundo Pós-Covid: propostas da Unesco para nos trazer de volta ao presente


08 May
08May

1.5 bilhões de crianças e jovens: Esse é o número dos que ficaram fora da escola nesse último ano de pandemia no mundo. Os impactos desse afastamento, não há dúvidas, serão enormes e perdurarão por anos, quiçá afete toda a presente geração, em especial as crianças e os jovens de famílias mais vulneráveis. Isso nos impõe novos desafios na educação que se somam àqueles que existiam no mundo pré-Covid.

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Para fazer frente a esses novos desafios na educação, a Unesco constituiu um comitê, presidido pelo Presidente da República Federal Democrática da Etiópia, que elaborou um relatório elencando nove ideias/proposições para ajudar os países na solução dos problemas advindos da falta da escola durante a pandemia e que nos permita construir um novo mundo mais solidário, que não mais aceite os níveis de desigualdade atuais e que olhe com mais carinho e cuidado para nossa Grande Casa, o planeta Terra (link para o relatório ao final do texto).

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Como uma instituição que olha os países como um todo, a Unesco aponta não ser mais possível convivermos com indicadores como o de termos apenas 11% dos estudantes com computadores em casa na África Subsaariana e apenas 18% deles com acesso à internet. Globalmente, esses números crescem para, respectivamente, 50% e 57%, o que ainda é vergonhoso. Ainda não sabemos quantos estudantes mundo afora sequer voltarão para as salas de aula, em especial as meninas, o que vai nos trazer de volta para o passado, cancelando os progressos educacionais que vários países lograram nos últimos anos. O Brasil, embora de forma lenta, também mostrava progressos expressivos na educação básica, como aqueles observados em alguns estados, em especial os da região nordeste (Ceará é um bom exemplo) e centro oeste (Goiás é um bom exemplo). São os nossos campeões nacionais!  

No caso do Brasil, já deveríamos estar pensando nesse mundo educacional pós-Covid, onde políticas públicas bem construídas e desenhadas serão os instrumentos necessários para que nossa viagem de retorno do passado – que ainda não sabemos ao certo para onde a pandemia nos levou - possam nos trazer de volta ao presente ou quiçá ao futuro. Certamente, muitos devem estar se perguntando como podemos pensar num mundo escolar pós-Covid se nem sequer pensamos num mundo educacional enquanto ainda estamos na pandemia. Respondo-lhes que estão cobertos de razão e, com esse time que ocupa o MEC, não haverá viagem de volta ao presente, muito menos ao futuro, uma vez que a grande questão que os move é o home scholling, a única política pública apresentada pelo PRÉ-sidente e pelo MINI-stro da educação. Mas, minha ideia aqui foi, de forma breve, contar-lhes da existência desse relatório da Unesco mencionado as nove medidas elencadas por esse comitê para, quem sabe, servirem de inspiração para os que se preocupam com a educação e o futuro do Brasil. Certamente, há outros excelentes relatórios elaborados por instituições que se preocupam com a educação no Brasil que merecem destaque e leitura. Os recomendo, certamente.

 

As nove ideias/proposições da Unesco são: 

1. Compromisso em fortalecer a educação como um bem-comum. O relatório diz que, assim como na saúde só estaremos seguros quando todos estiverem seguros, na educação só floresceremos quando todos florescerem!

2. Expandir o conceito de Direito à Educação, agora incorporando a necessidade da conectividade e acesso às tecnologias da informação. 

3. Valorização do professor(a) e desta nobre profissão. A pandemia mostrou que as experiências mais exitosas foram aquelas onde se conseguiu, de alguma forma, envolver as famílias e as comunidades na educação das crianças. Faz-se necessário, a partir de agora, dar mais autonomia e flexibilidade para que nossos(as) professores(as) ajam de forma mais colaborativa. Eles(as) mostraram que podem fazer coisas incríveis, mesmo nas condições mais adversas! 

4. Promover a participação e os direitos dos estudantes, dos jovens e das crianças na construção das mudanças desejáveis. Princípios democráticos e compartilhamento de ideias Inter geracional devem nos mover daqui para frente.

5.  Proteção dos espaços sociais oferecidos pelas escolas. A escola como espaço físico é indispensável para o convívio coletivo, para o aprendizado efetivo e diferente daquele obtido em outros espaços de aprendizado devendo, portanto, ser preservada.

6. Tecnologias devem ser livres e gratuitas para professores(as) e estudantes. Os conteúdos não podem ser construídos fora do espaço pedagógico e devem ser adequados a cada comunidade escolar. Acesso à ferramentas digitais deve ser financiado e as mesmas não podem ser controladas por empresas privadas. 

7. Garantir o letramento (literacy) científico nos currículos. Esse é o momento para revermos currículos e combatermos o negacionismo científico e a desinformação 

8. Proteger e reconhecer a necessidade da educação pública e do seu financiamento e que esse reconhecimento seja abraçado e apoiado por todos os atores envolvidos no sistema educacional.

9. Através da educação, promover a solidariedade para combater a desigualdade e fortalecer as parcerias globais, o multilateralismo e o sentimento de uma humanidade comum entre nós.

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 Enfim, gente, penso que aqui estão nove grandes proposições que devem servir ao mundo como fonte de inspiração para prepararmos o retorno das crianças e jovens às escolas, quando isso for possível, não esquecendo que muitos precisarão de ajuda e tempo para digerir as inúmeras perdas sofridas, acalmar suas ansiedades e angústias.


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Publicado anteriormente por Débora Foguel  em O Globo

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